Angelita Scardua

In Uncategorized on janeiro 12, 2010 at 8:55 pm

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  1. Olá Angelita,

    Muito bom! Contudo, fiquei com uma dúvida. Durante a nossa vida passamos por diversas fases , os meus amigos mais próximos de 5 anos atrás podem não fazer parte do meu cotidiano hoje, mesmo sendo deles as principais referências de afetividade que tenha. Como eles entrariam nestes circulos? O número de 150 seria cumulativo ou apenas diria respeito às pessoas que convivo neste momento? Penso que essas pessoas não podem ser descartadas, pois, mesmo não presentes, ainda estimulam nossos cérebros através da memória, considerando a importância de tudo que foi vivido.

    Janaina

    • Olá Janaina,
      achei sua dúvida ótima! O número de 150 pessoas diz respeito ao círculo social com o qual podemos nos relacionar no presente. Não inclui, portanto, todas as pessoas que passaram ou que passarão por nossas vidas. As referências afetivas que recebemos permanecem conosco, como você bem disse, por meio da memória. Acontece que o grande trabalho da memória – que é o que permite ao cérebro processar a quantidade absurda de informações que recebemos todo dia – é, exatamente, “esquecer”.

      O que quero dizer com isso? Que nem tudo o que está na memória está sendo usado, aliás, a maior parte não está! O que nós vivemos no passado, as pessoas que conhecemos e amamos, e por quem fomos amados, nem sempre são aquelas com quem interagimos no presente. Quando as relações do passado lá ficaram, elas nos afetam mas não fazem parte do círculo de convivência associado ao Número de Dunbar. O Número de Dunbar refre-se ao número de pessoas com quem efetivamente interagimos num determinado momento da nossa vida. O mesmo se dá para os grupos.

      Teoricamente, o equilíbrio de um grupo de trabalho/convivência depende da manutenção desse círculo de no máximo 150 pessoas. Assim, quando a quantidade de integrantes ultrapassa esse limite, há uma desestabilização do grupo, levando a desentendimentos e rupturas. Essa “bagunça” temporária permite que o grupo venha a reestabelecer o número de equilíbrio, pois, parte dos integrantes excedentes tendem a deixar o grupo. O que é muito bom, não é mesmo, pois essa dinâmica favorece a interação entre os membros de vários grupos impedindo que o conhecimento produzido por um grupo fique restrito às mesmas pessoas para sempre ou, pior, que morra com elas. É a lógica da evolução!

      Essa dinâmica interativa grupal é similar para os indivíduos. A medida que vamos vivendo conhecemos muitas pessoas, de diversos tipos, e essa variedade nos leva a desenvolver diferentes formas de nos relacionarmos. Isso nos ajuda a amadurecer e nos desenvolvermos emocional e cognitivamente. Os novos relacionamentos, contudo, não invalidam os antigos! A maneira das relações do passado nos afetarem vai tornando-se essencialmente subjetiva, ou seja, influenciando nossa forma de lidar com as emoções e as relações, como um repertório prévio que nos ensina o que é o amor, a simpatia, a raiva, a afinidade, o medo, o abandono, etc. Ainda assim, essa influência não é estática porque a cada relação que estabelecemos, somos levados a desenvolver novas formas de expressar nossas emoções e aprendemos a prestar atenção em outras tantas.

      A influência dos relacionamentos já vividos não sobrecarrega o processamento cerebral porque já foi incorporada ao nosso repertório cognitivo e afetivo. Está tudo lá, arquivado na memória, devidamente “esquecido” pela consciência, e quando é necessário, resgatamos! São as relações atuais que exigem análise, classificação, organização de dados, ou seja, o processamento de um grande volume de informações. Tanto é que, do ponto de vista psicoterapêutico, quando começamos uma terapia e passamos a analisar os relacionamentos do passado, é comum reorganizarmos nosso círculo social, em geral, com rupturas e afastamentos sentidos como necessários para a reestruturação da vida.

      Resumindo, Janaina, o que está quietinho, guardado no baú da memória, não nos consome. O que nos sobrecarrega é o que estamos enfrentando, seja uma relação do passado ou do presente.

      Volte sempre, e traga mais dúvidas instigantes como esta!

  2. Obrigada pela explicação . Perfeita, como sempre. Tenho muito orgulho de saber que a psicologia pode contar com profissionais como você.

  3. Apesar de leigo em psicologia, porém mestre em cativar, conquistar e amar meus amigos,concordo com a tese de Dunbar. Criado num meio familiar de boa qualidade a vida me impôs necessidades que me levaram a deixar minha casa cedo. Dai então, em terras estranhas e caminhos estranhos aprendi a valorizar meus amigos. Hoje com 70 anos, tendo gasto a vida perdulariamente, tenho certeza que ainda estou vivo, estimulado pelo carinho deles. O meu primeiro círculo contém bem mais amigos do que o projetado pela teoria de Dunbar. Sou feliz!

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